Uma aplicação de negócio que só funciona com um ERP específico transforma uma decisão de infraestrutura numa amarra. A alternativa é isolar a ligação: a aplicação trabalha com definições próprias do que é um cliente, um documento ou um movimento de stock, e por baixo existe uma peça que traduz isso para o software de gestão em uso. Conhecer um ERP a fundo é o que faz essa peça ser fiável. Mantê-la separada é o que torna a aplicação portável.

O que acontece quando a aplicação sabe demasiado sobre o ERP

A forma mais rápida de desenvolver algo por cima de um ERP é ir diretamente às suas tabelas, adotar a sua maneira de nomear as coisas e assumir que aquilo nunca muda. Funciona, e funciona bem durante uns anos, até ao dia em que algo se move: o grupo compra uma empresa que trabalha noutro software, o contabilista muda de ferramenta, a loja online passa a emitir os seus próprios documentos, ou o próprio ERP salta uma versão e reorganiza aquilo que a aplicação assumia estável.

Nesse momento, a aplicação não precisa de ajustes. Precisa de ser reescrita. E precisa de ser reescrita porque as regras do negócio e o código que fala com o ERP cresceram misturados no mesmo sítio, o que significa que já não é possível trocar uma coisa sem mexer na outra.

Conhecimento profundo num, compatibilidade com vários

O desenho alternativo separa as duas responsabilidades. A camada de workflow, aquela onde a equipa passa o dia, define em termos próprios o que precisa de saber e o que precisa de escrever. A tradução para cada software de gestão vive numa peça à parte, substituível, e é essa peça que absorve as particularidades de cada sistema.

A Lean Consultores é Parceiro Certificado CEGID Primavera há mais de quinze anos, e é essa profundidade que permite escrever uma tradução que não falha nos casos difíceis, porque saber onde vivem as exceções de um ERP não se aprende em documentação, aprende-se em anos de operação real. A mesma camada de workflow foi ligada, em projetos diferentes, a InvoiceExpress, TOConline, Artsoft e PHC. Não é uma questão de saber pouco sobre muitos sistemas, é o contrário: saber muito sobre um e desenhar de forma a que o resto não obrigue a começar de novo.

Porque é que isto interessa a quem não pensa em mudar de ERP

Quase nenhuma empresa planeia mudar de software de gestão, e o argumento não vive na mudança. Vive no que deixa de estar em risco. Uma aquisição, uma segunda empresa do grupo com outro sistema, um marketplace que exige faturação própria, uma imposição de quem faz a contabilidade, são todos eventos que ninguém tem no plano e que aparecem com aviso curto. Acresce um efeito menos visível: quem pode sair de um fornecedor negocia de outra maneira com ele.

O ERP fica onde deve ficar

Nada disto é um argumento para dispensar o ERP. O núcleo certificado é onde a lei manda que o registo fiscal viva, e é bom que seja determinístico e chato, porque é isso que se pede a um registo. O que sobe para a camada de cima é a forma como cada empresa trabalha, que é a parte que nunca cabe bem numa configuração padrão e a parte que faz sentido ser propriedade de quem a usa.

Pergunte a quem mantém as suas aplicações internas o que seria preciso fazer se a empresa passasse a emitir faturas noutro software no próximo ano. Se a resposta descrever reescrever a aplicação em vez de substituir uma peça, o que a empresa está a manter não é uma aplicação sua: é uma aplicação amarrada a uma decisão tomada há anos.