Nas PME industriais com produção por lotes, há um intervalo que quase ninguém mede: o tempo entre o que acontece no chão de fábrica e o momento em que o sistema fica a saber. Esse intervalo pode ser de horas, às vezes de um dia inteiro, e é nele que se escondem os custos que só aparecem muito depois.
O dado que chega sempre atrasado
O padrão repete-se: o operador regista a produção em papel, e alguém, mais tarde, transcreve esses números para o ERP. Enquanto a transcrição não acontece, o stock no sistema não corresponde ao que existe no armazém, e qualquer decisão tomada com base nesses números, uma compra, uma promessa de entrega, um cálculo de disponibilidade, parte de uma fotografia desatualizada.
Uma pessoa só para copiar números
Em várias destas operações, a transcrição manual consome tanto tempo que justifica uma pessoa a tempo parcial dedicada exclusivamente a introduzir no ERP os dados que já tinham sido registados em papel. É um trabalho que não acrescenta nada ao produto: limita-se a mover informação de um suporte para outro, com o risco que qualquer cópia manual carrega. Quando se olha para o custo anual dessa função, a pergunta deixa de ser se vale a pena automatizar e passa a ser por que razão se esperou tanto.
O stock que o sistema nunca acerta
A consequência mais cara não é o tempo gasto a copiar, é a desconfiança que se instala nos números. Quando o stock no sistema está sempre um pouco errado, as pessoas deixam de confiar nele e voltam a verificar fisicamente, o que anula o propósito de ter um sistema. Os desvios de produção, o desperdício, as quebras, a diferença entre o que entrou e o que saiu, só se tornam visíveis muito depois, quando já não há nada a fazer sobre eles.
Registar onde o trabalho acontece
Desenvolvemos uma forma de eliminar este intervalo: tablets industriais no próprio chão de fábrica, onde os operadores, muitas vezes de luvas, registam a produção com toques simples, no momento em que ela acontece. O stock entra diretamente no ERP quando a sessão de embalagem é fechada, sem transcrição posterior. Com cinquenta a sessenta operadores a trabalhar em simultâneo, o sistema cria os lotes automaticamente e gere a concorrência entre vários tablets ao mesmo tempo.
Ver o desvio enquanto ainda se pode agir
A diferença que as empresas notam primeiro é simples de descrever: o desvio entre o que entrou na produção e o que foi embalado passa a estar visível em tempo real, num painel com semáforos e margens configuráveis, em vez de aparecer numa reconciliação feita dias depois. Ver um problema enquanto está a acontecer, e não quando já é história, é a verdadeira distância entre ter dados e ter visibilidade. Os dados, a maioria das empresas já os tinha. O que faltava era chegarem a tempo de mudar uma decisão.